Contracheque de autônomo: como calcular seu custo-hora real
Monte o "contracheque" do autônomo: some salário, custos do negócio, INSS, férias, 13º e reserva de emergência pra descobrir o custo-hora real do seu serviço.
Atualizado em agosto de 2026
Gestão do negócio
Some salário, custos do negócio, INSS, férias, 13º e reserva de emergência numa única conta e descubra o valor real da sua hora — o número que evita que você pague pra trabalhar.
7 min de leituraAtualizado em Agosto de 2026
Você trabalha o dia inteiro, fecha serviço atrás de serviço, e no fim do mês a conta não fecha. Se a sensação é essa, o problema geralmente está no preço da sua hora. A maioria dos autônomos calcula só o básico pra pagar as contas de casa — e esquece que um prestador de serviço é uma empresa de uma pessoa só.
Toda empresa tem custo além do salário. Quem trabalha com carteira assinada tem INSS, FGTS e férias garantidos por lei. Você precisa garantir os seus — e é isso que o método abaixo faz: monta o "contracheque" do autônomo pra você nunca mais pagar pra trabalhar.
A conta que engana: salário não é custo
O erro mais comum é achar que o preço da hora só precisa cobrir o seu custo de vida. E a ferramenta que desgasta? O seu descanso em janeiro? Um mês parado por doença? Cada hora cobrada precisa pagar por quatro pilares:
Salário — o dinheiro pras suas contas pessoais.
Custos do negócio — o que você gasta pra poder trabalhar.
Seus "direitos" — o equivalente a INSS, férias e 13º.
Reserva de emergência — o seu "FGTS" pra imprevisto.
Montando seu "contracheque" de autônomo
Pegue papel e caneta, ou a calculadora do celular, e siga os quatro passos.
Passo 1 — o salário
Quanto você precisa por mês, líquido, pra pagar aluguel, alimentação, transporte, saúde e lazer? Seja detalhista: é a base de toda a conta.
Exemplo: salário desejado de R$ 3.500,00.
Passo 2 — custos do negócio
Some tudo que mantém o negócio rodando: plano de celular, combustível pra visita, aplicativos, compra e reposição de ferramenta, marketing. Sem lista pronta, use de 15% a 20% do salário como referência.
R$ 3.500 × 15% = R$ 525,00.
Passo 3 — os "direitos" que você paga pra si mesmo
Aqui é onde o profissional se separa do amador.
INSS (aposentadoria e segurança): a contribuição do MEI é o mínimo. Pra uma cobertura melhor, provisione 11% do salário. R$ 3.500 × 11% = R$ 385,00.
Férias e 13º: pra ter um mês de descanso pago e um extra no fim do ano, guarde 1/12 (8,33%) do salário pra cada um, todo mês. (R$ 3.500 × 8,33%) + (R$ 3.500 × 8,33%) = R$ 291,55 + R$ 291,55 = R$ 583,10.
Total de "direitos" a provisionar: R$ 385,00 + R$ 583,10 = R$ 968,10.
Passo 4 — a reserva pra imprevisto (seu "FGTS")
Uma furadeira que queima, um mês fraco, uma emergência: você precisa de um fundo de segurança. Use 8% do salário como referência — o mesmo percentual do FGTS.
R$ 3.500 × 8% = R$ 280,00.
A hora que realmente vira dinheiro
Você não fatura 8 horas por dia. Trânsito, orçamento, compra de material e WhatsApp comem parte do dia — e esse tempo também precisa ser pago pelas horas em que você está de fato na casa do cliente. Seja realista com o fator de produtividade.
A meta é faturar em cima de 120 horas produtivas por mês — não das 160 teóricas.
Do custo ao preço final
Some os quatro pilares pra descobrir quanto sua "empresa" precisa faturar sem prejuízo:
Pilar
Valor mensal
Salário
R$ 3.500,00
Custos do negócio
R$ 525,00
"Direitos" (INSS + férias + 13º)
R$ 968,10
Reserva de emergência
R$ 280,00
Custo total mensal
R$ 5.273,10
Pra ter lucro — o que faz o negócio crescer, não só sobreviver — soma uma margem por cima do custo. Com 30%:
R$ 43,94 × 1,30 = R$ 57,12 por hora.
É com esse número que você monta orçamento. Um serviço de 2 horas não custa só o seu tempo: custa 2 × R$ 57,12 = R$ 114,24.
Leve o número pro seu Catálogo de Serviços
Calcular uma vez não adianta se o valor fica esquecido numa calculadora perdida no celular. No Probleminhas, o Catálogo de Serviços já nasce com sugestões dos serviços mais comuns da sua profissão, com preço de referência da sua região — um ponto de partida, não a palavra final.
É nele que você entra depois de calcular o seu custo-hora, pra ajustar de verdade: cada item do catálogo tem nome, valor padrão e duração padrão. Multiplique a duração de cada serviço pelo seu custo-hora com margem incluída e corrija o valor sugerido pelo que o serviço realmente custa pra você fazer. Um serviço com 2 horas de duração padrão, por exemplo, passa a entrar no catálogo com R$ 114,24 — não com um valor "de sentimento".
Depois de ajustado, o catálogo vira atalho: na hora de montar um orçamento, você escolhe o serviço já com o preço certo em vez de recalcular tudo de novo no meio da visita.
Essa gestão financeira é o que garante seu negócio no longo prazo. Pare de cobrar no sentimento e comece a cobrar pelo que o seu tempo realmente vale.
Leve esse número pro seu Catálogo
No Probleminhas você cadastra cada serviço com o preço certo, calculado por você, e usa esse catálogo pra montar qualquer orçamento em segundos.